Apagar luzes

Um punhado de areia nas mãos

Sobre a diferença entre proteger a controlar

Olá Amigos,

Hoje quero lhes convidar a fazer um experimento comigo. Caso não possam fazê-lo ao vivo, peço que usem suas mentes para visualizar o que quero trazer.

Pegue um punhado de areia na mão.

Cada um de nós temos mãos de tamanhos diferentes, então cada punhado também o será.

A primeira coisa que acontece é que a areia irá escorrer pelos lados de sua mão, até que se forme um punhado que você consiga acomodar. Isso é normal, afinal é uma especialidade humana tentar carregar mais do que pode.

Quantas vezes nessa vida já tentamos acumular mais tarefas do que as que realmente podíamos realizar? Quantas vezes vimos as situações “escorrerem” por não podermos segurá-las?

Depois do monte de areia acomodado em sua mão, depois de deixar escorrer um certo tanto pelos lados, você tende a fazer algo que é como um instinto: fechar a mão, para não deixar mais nada escorrer! Afinal você não quer perder aquilo que já conquistou, aquilo que já está em sua mão.


Só que algo acontece: você fecha a mão e mais areia começa a cair. E não importa o quanto aperte, mais areia cai pelas frestas de seus dedos.

Aqui fica a lição que queria dividir com vocês. A diferença entre proteger e controlar. A diferença entre fazer uma concha com a mão para segurar um tanto de areia e de apertar com tanta força que no final fique apenas alguns grãos de areia.

Nossa vida é como a areia. Temos um certo punhado para usufruir durante nosso tempo nessa terra. Quando somos sábios, olhamos o que temos e conservamos com carinho e desapego. A mão em concha, representa o acolhimento e a liberdade. Sabemos que o vento vai levar um pouco da areia, mas o importante é que teremos nosso quinhão.

Quando a sabedoria não nos favorece ou quando somos gananciosos, apertamos a mão firme para não deixar nada livre para que seja levado. Deixamos nossa força exercer a função de sabedoria e o resultado é a areia escorrendo pelo meio dos dedos, perdendo ainda mais do que o vento levaria ou o tempo deixaria cair.

Então o que podemos aprender disso? Qual lição podemos receber de um punhado de areia?

Que tal aprender a contemplar? Aprender a olhar a vida e se admirar pelos seus pequenos milagres diários, olhar uma flor desabrochar e soltar seu perfume ao invés de arrancá-la do solo. Aprender a deixar livres aqueles que amamos, para que possam ser o máximo que podem ser. Aprender a soltar um pouco as rédeas da vida e saber que há um poder superior que nos guia para um caminho melhor.

E ainda uma última lição. Quando pegamos um punhado de areia nas mãos, o que fica no chão?

A areia de uma praia, infinita em sua extensão, demonstra que somos uma pequena, uma ínfima parte de um grande todo, de uma caminho pavimentado por muitos que vieram antes de nós. Somos responsáveis por deixar nosso punhado de areia ser levado pelo vento ao longo do tempo, para deixar o caminho para os que virão depois de nós.

Que tal uma caminhada na praia para refletir sobre isso?

Um grande abraço!

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