Apagar luzes

O Um, sem o Zero e o Zero, sem o Um

Sobre a união e a evolução espiritual

O Tao Te King fala em seu primeiro aforismo sobre a infinitude do Criador e sobre como a fazemos desaparecer assim que a definimos.

“O Insondável, que se pode sondar, não é o verdadeiro Insondável”.

Porém, nesta linha de pensamento, não sondar o Insondável somente o distância, separa e o torna inalcançável, fazendo da busca algo inútil e infrutífero.

Como sendo o objetivo maior da humanidade alcançar o Insondável, podemos concluir que devemos seguir nessa busca, ainda que a mesma soe, à princípio, impossível.

Nietzche, em O Crepúsculo dos Ídolos, traz uma reflexão que podemos adaptar a essa busca:
“O quê? Tu procuras? Tu gostaria de te decuplicar, de te centuplicar? Tu procuras adeptos? – Procuras zeros!”

Interessante o uso da fórmula decimal que Nietzche faz nessa sentença, relembrando o Um e o Zero como multiplicadores.

Em termos matemáticos, o Um representaria a essência do Infinito, ou seja, o Potencial, a Semente. O Zero, simbolizaria o Nada, a Terra.

O Um, sem o Zero, nada mais é do que um frágil potencial inatingido, frustrado em si mesmo.

O Zero, sem o Um, é legado ao esquecimento, fragilizado por não ser suficiente em si mesmo.

Aqui, apelo ao grande mestre Hermes Trimegistro, que registra no Caibalion a Lei do Gênero, que alude justamente ao fato de que todas as coisas são, em dado momento, Germe e Ventre, Semente e Terreno, Potencial e Realização.

Considerando as passagens anteriores, podemos dizer que a Grande Realização, a Manifestação do Divino, nada mais é do que a característica humana mais primordial: a necessidade do outro.

Sem o outro, podemos ser Um, potenciais e frustrados, ou Zero, frutíferos e infecundos. Mas somente pela União alcançaremos o Insondável manifestado na nossa realidade.

​Que possamos refletir e entender a necessidade do próximo em nossas vidas.

Comentários do Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *