Apagar luzes

Imortalidade

Sobre a Vida e a Morte

 

“Se eu pular, com bastante força, eu consigo ultrapassar esse vão!”

“Calma, eu sei o que estou fazendo!”

“Ah, isso não vai me fazer mal, vai ser tranquilo!”

“Deve ser só uma gripe…”

O quanto estamos realmente preparados para encarar nossa mortalidade?

 

Olá amigos, mais uma vez venho dividir com vocês um pensamento. Peço que me acompanhem nessa viajem, creio que desta vez com um cenário um pouco mais lúgubre, mas que valerá a pena.

 

Estive pensando sobre como nos damos conta do fato de que todos, invariavelmente, iremos um dia morrer…

Em que momento de nossas vidas isso se torna claro, tão claro à ponto de nos proporcionar mudanças profundas de comportamento e a forma como encaramos os momentos de nossas vidas.

De fato, todos adoecemos em algum momento de nossas vidas. Sejam coisas mais graves ou mais leves, em algum momento passamos por um hospital ou algo que o valha. Ainda assim, não podemos dizer verdadeiramente que neste momento, ainda que com um grave diagnóstico à frente, encaramos a mortalidade. Me refiro aqui, neste momento, ao sentimento de “quase morte”.

Passar por um momento violento e traumático, como um ataque ou assalto, é certamente algo que marca a vida de uma pessoa. No mundo de hoje estamos constantemente expostos à violência e tudo parece, de certa forma, ameaçador. Há pessoas que, podemos afirmar, encararam a morte de frente mas ainda assim sobreviveram. Também uma situação de “quase morte”.

Um grave acidente pode levar uma pessoa à situações muito difíceis. Desde um longo tempo de recuperação até um dano irreparável podem assombrar aqueles que passam por um desastre. Ainda assim, até marcados de forma permanente, seguem vivos. Uma “quase morte”, ainda que carregando um lembrete.

Quero me referir a um momento específico. O momento em que nós não só encaramos uma situação como as descritas acima, mas que percebemos a irreversibilidade da mesma. Não, você não vai ver o próximo dia. Não, você não vai ver aquela pessoa novamente. Não, dessa vez você não vai sobreviver.

 

Desculpem o peso das palavras, mas gostaria de trazê-los até este lugar. O facear da inevitabilidade da Morte. Sentir o hálito frio e a mão gelada da Dama da Noite que vem levar os que já não mais pertencem à este mundo. O momento em que atiramos a moeda a Caronte e adentramos seu barco. Os segundos que antecedem o último suspiro.

 

Até aqui, éramos todos Imortais.

Até aqui, apesar de pouca, a esperança nos acompanhava.

Até aqui, viveríamos.

 

Agora que estamos todos aqui, cercados por essa energia pesada e, de certa forma, reconfortante, eu vos peço que reflitam: o que restará de vocês, deste momento em diante?

O que será seu legado para o mundo que, neste momento, você passa a deixar para trás?

Quais lições, quais palavras, quais amores, quais dessabores, restam de você?

 

Caros amigos, a ilusão da nossa imortalidade nos faz ter um comportamento que não leva em conta o fato mais simples e objetivo de nossas vidas: vamos todos, sem exceção, morrer um dia. E digo mais, na maior parte das vezes, sem prévio aviso!

A Vida é algo que nos foi dado com a promessa de ser tirado um dia. Não é um presente, é um empréstimo. Essa vida que vivemos hoje é tão efêmera quanto o orvalho que desaparece ao raiar do Sol. O Tempo que temos desse empréstimo é predeterminado, porém não nos é informado. Isso tudo causa a ilusão de que somos imortais e que nada pode nos tirar o mais certo de todos os destinos, que amanhã raiará um novo dia. Ainda que aconteça, estaremos de pé para saudar o Sol?

 

Pesado, eu sei meus amigos. Tudo o que vos peço neste momento é que aproveitem o cenário à sua volta. Reflitam por alguns instantes que seja na fragilidade de nossas vidas.

Isso não deve deixar-vos temerosos e sobressaltados de forma a deixarem de aproveitar os momentos. De forma alguma! Pelo contrário inclusive. Esta reflexão tem como papel dar o devido peso a cada um dos momentos a que somos permitidos participar nesta vida. Aproveite-os. Saboreie-os. Viva-os de forma intensa. Aprenda, ensine, ria, chore, alegre-se e desespere-se de forma tal que, sendo este o último dos seus momentos, ao encarar o frio espelho da Morte, esse lhe reflita todo o vigor com o qual você viveu sua jornada.

 

Para aliviar o peso, deixo uma mensagem que costumo repetir aos amigos: do momento de sua primeira respiração até o momento de sua última respiração, somente uma pessoa estará com você, portanto, celebre-a, ame-a, de forma intensa, pois é a única que sempre estará ao seu lado!

 

Obrigado pela companhia. Vejo vocês por ai!

 

 

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