Apagar luzes

A pergunta certa

Desde os tempos mais remotos, os homens olham para a vida com um olhar curioso.

As maravilhas que ocorrem a cada instante no mundo nos deixam de queixo caído, desde o desabrochar de uma flor até uma aurora-boreal. De uma explosão de uma estrela numa galáxia distante, até a forma como as abelhas constroem suas colmeias.

Quando nos deparamos com fenômenos naturais, temos um costume interessante: queremos saber como aquilo acontece. Como uma lagarta se transforma em uma borboleta? Que processo químico está envolvido na fotossíntese? Como um buraco negro pode engolir uma galáxia inteira?

Mas buscando nos costumes das culturas antigas, encontrei uma informação interessante.

A pergunta que eles costumavam fazer não era “como as coisas acontecem”, mas sim “porque as coisas acontecem”.

Isso ilustra uma grande vertente do comportamento antigo. No Egito, por exemplo, eles enxergavam o mundo totalmente ao contrário do que fazemos hoje!

Se você perguntar a uma pessoa hoje o que é mais real, a vida que ela vive ou a vida após a morte, certamente ela responderá que a coisa mais real é a vida que vivemos hoje, pois não há como provar a vida após a morte de forma “concreta”.

Se a mesma pergunta fosse feita à um egípcio antigo, ele diria que a pedra não é real, somente os deuses o eram, pois a realidade nada mais era do que uma ilusão criada pelos deuses para provar nossa fé e seguir nosso caminho.

Essa forma etérea de enxergar a nossa realidade, como uma ilusão, se provou extremamente eficaz no que tange a termos controle sobre nossas reações às coisas que acontecem no dia a dia. Veja por exemplo que, quando algo ruim acontece, a primeira reação do homem moderno é encontrar um culpado ( de preferência que não seja ele próprio ). Já nos tempos antigos, as pessoas costumavam questionar que atitudes delas ao longo de suas vidas levaram os deuses a dar-lhes tal punição.

Com tal atitude, automaticamente se tomava a responsabilidade das situações para si, ainda que os efeitos fossem criados pelos deuses, as causas eram criadas pelos homens, suas atitudes e reações ao longo de sua vida.

Isso fico muito bem ilustrado na figura da morte na cultura egípcia. O grande deus Anúbis vinha buscar os mortos, transportando-os para um outro plano, onde ele lhes pesava o coração contra uma pena. Se o coração fosse mais leve do que a pena, eles seriam levados à Morada Eterna, onde encontrariam seus entes queridos que também tivessem passado por tal prova.

Veja que esta é uma alegoria poderosa! O que você carrega em seu coração seria hoje mais leve que uma pena? Hoje, sentado à frente da balança de Anúbis, que caminho seu coração tomaria?

Fica aqui esta reflexão para pensarmos um pouco mais sobre o porquê das coisas acontecerem e um pouco menos no como elas aconteceram, pois quando tomamos essa atitude, quando enxergamos as coisas pelo plano da causalidade sendo nós mesmos responsáveis por nossos destinos, temos o poder de mudarmos o rumo de nossas vidas, transformando nossas atitudes.

 

Grande abraço amigos!

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